sábado, 10 de abril de 2010

Olá,

Meu nome é Maurício. Sou o autor das postagens do blog Mal Localizado, cujas atividades foram encerradas em 5 de abril de 2010.

Essa postagem é um agradecimento, um balanço e uma explicação. Não nessa ordem.

Mal Localizado é um romance que ainda estou finalizando. Além de reler o que já está pronto, falta inserir um prólogo e um epílogo, mostrando as circunstâncias em que o diário do Sr. J foi encontrado e que consequências trouxe para quem o encontrou. Nem o prólogo, nem o epílogo, serão postados aqui.

Quem escreve, sabe o quão solitária é essa atividade. A internet trouxe o prazer de compartilhar a escrita já no nascedouro, poder mostrar e observar a reação de quem lê.

A opção pelo anonimato (criticada em alguns mails recebidos) se deve a um desejo do autor em não ser confundido com o personagem, situação já enfrentada. Em experiência anterior, publiquei contos na internet e diversas vezes o espaço de comentários trazia coisas como “Ah, não acho que você seja assim” ou “Você não faria isso”, como se o texto representasse apenas a verdade e nada ali houvesse de criação. Não nego a presença da experiência pessoal no que escrevo, mas certamente sua porcentagem é bem menor do que espera ou deseja o leitor.

Na verdade, imagino que escritores vaidosos não gostem muito de tal confusão. Ela acaba sugerindo que o autor só é capaz de escrever em cima de fatos que aconteceram, e que a imaginação não dá conta de criar sozinha uma personalidade, um evento ou um cenário. Mas ela dá.

Por isso, por não querer que o texto em si ficasse em segundo plano diante da curiosidade quanto até onde o autor está inventando e até onde está se expondo, preferi esconder meu nome e não mostrar Mal Localizado para pessoas conhecidas. Pesquisei em blogs literários pessoas que talvez se interessassem pelo que estava sendo escrito aqui e as incluí na mala direta. A resposta, embora quantitativamente bem menor do que o esperado (apesar dos 110 seguidores do blog, a média diária de visitantes não passou de 20 leitores), surpreendeu-me na qualidade. A identificação, a sensibilidade e a inteligência de alguns comentários não raro me comoveram, e não há como não citar – e agradecer – especificamente a presença do leitor SSS, dono de uma simpatia e profundidade que deixavam não apenas a mim, como aos outros leitores, ansiosos por sua participação. Para alguns que me perguntaram via email, informo categoricamente que eu não sou o SSS. A propósito, ainda espero conhecê-lo pessoalmente.

Não pretendo manter esse blog. Meus planos são informar, via email, do andamento do romance. Acredito ter feito alguns amigos por aqui, cujo contato espero não perder com o fim do blog. O endereço comninguem@gmail.com continuará ativo, e responderei qualquer comentário, sugestão ou crítica. Também gostei muito da experiência, mesmo sendo desgastante a tarefa de escrever um texto novo por dia, e não descarto a possibilidade de vir a repeti-la no futuro, em um novo livro.

A todos os que chegaram até aqui, o meu muito obrigado e, espero, até breve.

Abraços,
Maurício

12 comentários:

she disse...

Maurício, Bom dia!

É um prazer saber de você: seu procedimento de escrita, seu intuito em escrever o blog, enfim... Lamento apenas ter sido tão breve. Já pensou em manter a história do Sr. J por um ano??? rsrsr seria muito bom para nós, seus leitores. (que egoísmo, ein??).
Precisei me ausentar uns dias e quando finalmente retorno, vejo logo esse post. Me entristeci, mas entendo que você tenha seus planos. Mantenha-nos informados sobre o livro.

Um abraço da admiradora!

Com ninguém disse...

Muito obrigado pela força, She. A ideia inicial era exatamente essa, botar um ano da vida do Sr. J. Eu é que não dei conta de escrever todo dia. Vamos manter contato.

Abraços,
Maurício

papu disse...

Maurício

A mim pareceu-me que gostaste e até alimentaste essa confusão entre autor e personagem, entre fantasia e realidade. Claro que posso estar enganada, mas acho que isso está bastante explícito na forma como respondeste ao meu outro comentário. Também me pareceu que não gostaste da crítica. Talvez por isso tenhas respondido daquela forma.

Gostei de ler, mas volto a dizer que, na minha opinião, o desenrolar da narrativa é, por vezes, um pouco parado e repetitivo.

Boa sorte com o romance.

Gabriela

Com ninguém disse...

Todo mundo tem uma opinião, Gabriela. Em nenhum momento deixei a entender não ter gostado da crítica. Pelo contrário, me diverti com ela. Tanto que respondi com uma brincadeira. Talvez você é que não tenha gostado da resposta, então peço desculpas.

Só que, da mesma forma que você achou parado e repetitivo, eu acho que uma "virada" na trama, como você sugeriu, é recurso por demais gasto. Um amigo inclusive já veio me contar, maravilhado, após ler um manual americano de construção de roteiros, a orientação que o livro dava para um bom autor: exatamente na página tal a história deve ter uma "virada".

Francamente, não vejo o que há de criativo e original nisso, se a "virada" se torna uma regra.

Quanto à repetição, como outros leitores perceberam, ela foi não apenas intencional como necessária para enfatizar o cotidiano do personagem e definir a sua personalidade.

Mas estou mais do que ciente de que não se pode agradar a todos. Nem é esse o meu objetivo.

Obrigado pela leitura.

Lu Vieira disse...

Maurício, parabéns! Quando comecei a ler o seu blog, eu pensei que os seus escritos dariam um bom livro. E eu fiquei muito feliz em saber de que o objetivo é exatamente isto: transformar o que você escreveu aqui em livro. E sinto mais feliz ainda por perceber que eu e os leitores deste blog estávamos acompanhando o seu processo de criação. Eu me senti privilegiada com isso. No início da leitura deste blog, cheguei a pensar que o Sr. J era você mesmo. Depois percebi que você criou o Sr. J. Gostei muito desse jogo de ficar pensando se o que li era ficção ou realidade. Eu me lembrei muito da monografia que desenvolvi para obter a formação em jornalismo. Um dos assuntos abordados era sobre o romance-reportagem, onde se mistura a ficção e a realidade.

Mesmo sendo um livro ficcional, ou seja, parte da imaginação do autor, sempre vai ter algo da experiência pessoal do autor inserido no romance. Existem livros ficcionais com mais traços pessoais do autor e outros, menos. E como você disse aqui: “Não nego a presença da experiência pessoal no que escrevo, mas certamente sua porcentagem é bem menor do que espera ou deseja o leitor”. Na medida em que eu lia as postagens, eu percebi que são criações de Com Ninguém. Não sei dizer exatamente em que postagem eu soube separar o Com Ninguém do Sr. J, ou seja, são duas pessoas e não uma. Com Ninguém é pessoa real. E o Sr. J é personagem ficcional.

Assim como a She disse, também lamento que o diário do Sr. J tenha chegado ao fim no dia 5 de abril. Poderia continuar por mais tempo. Por outro lado, entendo a sua situação. Não é nada fácil ter a responsabilidade de escrever todos os dias. Quanto ao comentário da Gabriela, não senti em nenhum momento que estava lendo uma narrativa parada e repetitiva.

Penso como você, Maurício, uma “virada” na trama é um recurso muito usado. Parece que todo livro deve seguir uma regra: ter uma “virada” na trama. Creio que não é uma regra que vai atrair a atenção dos leitores. Em minha opinião, deve existir originalidade, algo diferente para chamar a atenção deles. E a sua trama, Maurício, chamou a minha atenção. Quando lia as suas postagens, eu me sentia como se eu estivesse lendo mesmo um livro. Agora eu aguardo o andamento e o lançamento do livro. Você me deixou curiosa. Quero saber como vão ficar o prólogo e o epílogo.

Enfim, você me surpreendeu. Tenho certeza de que terei mais surpresas com o livro. E não se esqueça de nos informar via e-mail o andamento de sua obra. Um grande abraço e bom trabalho!

Bípede Falante disse...

Que susto!
Venho ler e puf, o blog está de partida. Pelo menos, você deixa um email. Não é muito, mas é um caminho.
Um beijo.
Bípede

Com ninguém disse...

Lu, eu que me senti privilegiado com a companhia de vocês. E também concordo que, em literatura, nem sempre é positivo ficar preso a fórmulas. Cada caso é um caso. Beijos.

Bípede, estamos sempre seguindo um caminho. Espero que os nossos sempre se cruzem. Obrigado pela força. Beijo.

Carolina. disse...

Ah, que delícia sua explicação...não seria má idéia colocar esse texto no prefácio...daria uma noção a quem lesse de como foi seu processo de construção.
Em muito acreditei que suas histórias eram narrativas da sua vida, mas me deliciei ao saber que foi criação. Me dá uma alegria a capacidade das pessoas de criarem coisas tão bacanas quanto a história.
Encontrei seu blog por um acaso, nem sei bem ao certo como foi, não o conheço a muito tempo, então nao acompanhei a históriadesde o principio...

Desde já, grande beijo.
E acredito, que os agradecimentos devam ser feitos por nós, que tinhamos e temos algo de qualidade para ler todos os dias...umlivro de cabeceira virtual!

Anônimo disse...

Caro, Maurício,
Ler a postagem de sábado me trouxe um sentimento duplo: de alegria por você estar na reta final do livro e de um certo vazio porque as postagens diárias sobre o triste fim do senhor J. terminaram. Imaginei que esta interrupção aconteceria, por um lado porque é bastante cansativo produzir textos com a qualidade que você produz diariamente, por outro lado porque hora ou outra você teria de se haver com os desafios concretos de concluir o romance, o que consome bastante energia, tempo, e exige um mergulho profundo dentro de si mesmo, e lá dentro, sozinho, tomar as decisões que só você sabe quais são. Espero que o resultado final seja o mais próximo possível daquele que tem em mente.
Apesar de você gostar de meus comentários, creio que eles precisam ser tomados com um grão de sal. Digo isto porque gostei tanto dos textos que não é impossível que falhas e imprecisões passem desapercebidas em minha leitura. Procurei evitar, entretanto, comentários com elogios meramente lisonjeiros. Quis expressar como a leitura se acomodava em minha subjetividade, em especial no que ela me permitia pensar. Sim, pensar, e não simplesmente sentir. Mas um pensar subjetivo, uma possibilidade de pensar que nascia da identificação afetiva com as várias aflições vividas pelo personagem. Procurei redigir comentários analíticos, profundos como você diz, mas não isento de emoção. Fico muito contente que você tenha gostado, e também outros leitores do seu blog.
O senhor J. parecia padecer de fobia social. Tinha uma dificuldade crônica de se situar bem em diferentes contextos. A sensação era de má localização o tempo todo. Como você escreve, em certa postagem, qualquer movimento parecia sempre no sentido de afastar-se, nunca de ir ao encontro. O romance Mal Localizado ainda não está pronto, e eu ainda não o li. Mas considerando os textos do blog, o que precisamente prendeu a minha atenção, e esclarece a identificação afetiva, foi a idéia de que o afastamento e às vezes o rompimento com uma realidade que se torna opressiva e indesejável é uma alternativa para aqueles que não obtêm sucesso ou satisfação em um universo de possibilidades dado.
Além disso, tem a fronteira tênue entre realidade e ficção que as postagens sugerem, o que certamente aguça a curiosidade e atrai o leitor. Mas, por si só, esta fronteira fluida entre o real e o irreal não prenderia a minha atenção. Se o blog tivesse sido iniciado com a postagem de sábado, certamente você teria perdido esta possibilidade de atiçar a curiosidade do leitor. Também creio que se a trama ganhasse uma “virada” seria um tiro no pé porque descaracterizaria a identidade do personagem e o seu fim trágico: um espectro que se despede lenta e angustiadamente.
Para finalizar, gostaria de dizer que eu não fiz parte daquelas pessoas as quais você enviou um convite para visitar o blog Mal Localizado. Eu procurava blogs sobre outro assunto, quando decidi dar uma olhada no link de blogs literários, e então cheguei ao seu. Isto me faz pensar sobre o paradoxo entre intenção e resultado da ação. Eu não encontrei o que queria, você não esperava que eu visitasse seu blog. Entretanto, em fins de janeiro o encontro ocorreu. Ainda que muito bem pensada e calculada, é impossível prever todas as armadilhas contidas em uma ação. Chegar ao seu blog teve um certo saber de destino. Um sabor agradável, um encontro feliz, que gostei e espero que, ao longo dos anos, cresça a troca de dons que agora se inicia.

Um abraço
SSS

papu disse...

Eu também não gosto de roteiros nem de manuais. Não acho que haja regras para escrever. Quando me referi à "virada" usei a primeira palavra que me veio à cabeça. O que queria dizer é que a estória precisava se desenrolar, precisava andar, precisava acontecer alguma coisa. Estávamos num suspense há algum tempo e, na minha opinião, esse tempo estava se esgotando. Percebo perfeitamente que a repetição tenha sido intencional, porém, na minha opinião, volto a frisar, há outros modos de acentuar esse caracter repetitivo. É apenas a minha opinião, modesta. Mas gostaria que, ao menos, fosse bem entendida.

Aliás, isso acabou por acontecer, na minha opinião, mais uma vez: a dada altura a estória rolou, a narrativa desenvolveu-se, aconteceram coisas, enfim, acabou havendo aquilo que eu quis referir como "virada". Virada não no sentido de a estória ser virada do avesso, nem de trás para a frente, mas da estória andar, desenrolar.

Espero ter sido compreendida, dessa vez.

Mais uma vez, boa sorte com o livro.

Anônimo disse...

Saudades das noites em que havia sempre algo novo e, por vezes, surpreendente por aqui para ler. Saudades do blog!

Obrigada, Maurício. Foi um prazer ler-te.
Aguardarei - ansiosa - pelo livro.

Um abraço,

De sua (sempre) viciada leitora. rs

Sofia M.

Milene disse...

Sorte a minha ter sido um dos "escolhidos".

Genial!

E saudações ao SSS, ovaciono a extrema sensibilidade na escrita de vcs dois.

Espero, com sinceridade, receber o contato sobre o livro e, principalmente, sua comercialização.

Desculpe a ausência sentida, mas tem sido assim com minha essência, com meu blog também, sendo você apenas uma consequência.

Abraços, Maurício.

E apareça sempre e de novo, subitamente.

Para os dois, Maurício e SSS, deixo o contato por prosperar notícias, ou quem sabe mútuas cognições, mesmo que desproporcionais da minha parte.
ameliepoulain.toujours@gmail.com